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sábado, 7 de setembro de 2013

Nova trajetória da inflação enterra discurso alarmista da 'turma do tomate'

Este blog, tem como finalidade, expor as mazelas, as quais convivemos em nosso dia a dia, sempre baseado em informações, divergências ou rejeições, fazem parte, nem cristo agradou, que dirá um mero leiloeiro...



Nova trajetória da inflação enterra discurso alarmista da 'turma do tomate'

Cinco meses após a polêmica alta do preço do hortifruti, IPCA caminha em direção ao centro da meta de 2013 definida pelo Banco Central e põe fim ao descontrole inflacionário

Bárbara Ladeia - iG São Paulo  - Atualizada às 
Reprodução
Preço do tomate virou piada até no Mais Você, de Ana Maria Braga, mas o valor já voltou a cair

Em março deste ano, o Brasil ganhou uma nova paixão nacional: o tomate. No noticiário, na televisão, nas redes sociais e em todo lugar lá estava o fruto vermelho apontado como uma espécie de mártir da economia nacional . O mal-estar com alta dos preços tomou conta da economia brasileira e houve quem apostasse que o governo se veria obrigado a tomar medidas drásticas para forçar a inflação, ao menos, em direção à meta de 2013, fixada em 4,5% pelo Banco Central.
O polêmico fruto liderou a alta dos preços nos alimentos, com um reajuste médio de 60%, e virou também o bode espiatório de uma inflação supostamente fora do controle. Em artigo publicado na imprensa em abril, o ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luiz Carlos Mendonça de Barros, chegou a cobrar uma solução capaz de dar jeito na “situação limite e perigosa” da inflação abril – ainda que tenha destacado como “rudimentar” o debate proposto “pelos dois lados do espectro ideológico que domina o debate econômico”.
Na televisão, Ana Maria Braga em seu programa Mais Você apareceu fantasiada com um colar de tomates , que seriam “jóias”, dado o alto preço do produto. Na internet pipocaram centenas de campanhas bem humoradas que trouxeram a tona o debate. Enfim, o País inteiro estava discutindo economia – e, em sua maioria, discutindo preços supostamente “descontrolados”.
Na manhã da última sexta-feira (6), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que o caminho que está sendo desenhado pode ser bem diferente da catástrofe anunciada no primeiro trimestre. Mesmo com a leve aceleração de 0,24% nos preços , os números do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mostram mais uma âncora sob o índice de inflação oficial. No acumulado dos 12 meses, o índice formou alta de 6,09% nos preços – inferior aos 6,27% acumulados em julho e aos 6,7% apontados em junho.
Com análises baseadas no retrospecto de 12 meses, a distância entre a leitura do mercado e os reais números de inflação acaba ficando maior. O economista João Sicsú, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), lembra que as metas definidas pelo Banco Central valem para o período que compreende entre janeiro dezembro – e não os últimos 12 meses. O traço de tendência acaba desconsiderado, dando espaço para uma análise mais retrospectiva que de fato projetiva. “A meta só é estourada ou cumprida em 31 de dezembro. Até lá, o que se tem é especulação”, diz. “Não há motivo para alarmismo.”
Thinkstock/Getty Images
Na contramão dos números oficiais, as instituições financeiras revisaram para cima suas perspectivas para a inflação
Luiz Gonzaga Belluzo, economista da Unicamp, explica que todo esse pânico tem a ver com uma leitura quase metonímica do índice: com a disparada nos preços de uma parte, no caso os alimentos, entendeu-se que o todo estava ameaçado. “O coeficiente de erro das previsões econômicas é sempre elevadíssimo”, comenta Belluzo.
Na contramão dos números oficiais registrados nos últimos dois meses, as instituições financeiras revisaram para cima suas perspectivas para a inflação ao final do ano. Segundo o Boletim Focus , divulgado na manhã da última segunda-feira (2), o Brasil fecha 2013 com inflação de 5,83% – ainda abaixo do teto, mas longe do centro da meta, de 4,5%.
A despeito das declarações recentes do ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, de que nada mudaria neste ano, o mercado ainda espera umreajuste no preço dos combustíveis(resultado da valorização do dólar) – o que poderá forçar novamente os preços para cima. Belluzo ressalta, no entanto, que esse ajuste já está “atrasado”. “Perdemos o timing de repassar essa alta: gasolina mais cara com mais desvalorização do real não costuma ser uma boa combinação.”
Inflação não é uma grande questão
Na última quarta-feira (4), André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos, revisou suas expectativas para o IPCA de agosto, de 0,25% para 0,21%, ligeiramente menos que o número entregue pelo IBGE. “Minha projeção para o ano está indo para 5,4% se não houver nenhuma grande novidade”, diz Perfeito, que não nega a “persistência” da inflação nacional. “O mercado está mudando de perspectiva a todo momento, não tem motivo para pânico.”
O economista explica que o elemento psicológico, nesse caso, é forte: por ter passado por uma recente “revolução monetária”, patrocinada por uma queda abrupta nos juros, a economia busca um novo ponto de equilíbrio. Naturalmente, analistas de mercado observam o cenário com muitas ressalvas, já que a inflação é, historicamente, uma das principais questões nacionais. “Hoje a inflação não é uma grande celeuma”, completa.
Misturando os canais
Para João Sicsú, o componente político é ainda maior que o psicológico. “Inflação é sempre um motivo de preocupação, mas não existe nem existiu descontrole inflacionário, nem mesmo em março, com a história do tomate”, diz.
O debate chegou tão claramente à questão política que uma paráfrase da campanha de Dilma Rousseff passou a ser utilizada pelo possível candidato da oposição, Aécio Neves (PSDB-MG). O “País rico é País sem pobreza” virou “País rico é país sem inflação”. Em propagandas eleitorais televisionadas, Neves usou o tema como principal mote, afirmando que a “alta de preços voltou a bater na porta dos brasileiros”.
Depois de meses de apreensão no Palácio do Planalto sobre o comportamento da inflação, na noite de sexta-feira (5), Dilma pôde retomar o assunto de forma favorável. Disse a presidente em pronunciamento em cadeia de rádio e TV: "Falharam mais uma vez os que apostavam em aumento do desemprego, inflação alta e crescimento negativo. Nosso tripé de sustentação continua sendo a garantia do emprego, a inflação contida e a retomada gradual do crescimento".
Dilma frisou que a inflação não deve ser tratada como uma ameaça à população. "A inflação está em queda. Os índices de julho e agosto foram baixos e a cesta básica ficou mais barata em todas as 18 capitais pesquisadas. Vamos fechar 2013 com uma inflação, mais uma vez, dentro da meta, o décimo ano consecutivo em que isso ocorre", destacou no pronunciamento.
Sicsú vê que a análise dos dados econômicos tem sido constantemente submetida aos impasses político-partidários, o que torna a leitura dos dados enviesada e descolada dos fatos. “Esse debate da inflação foi contaminado pelo fogo político. Esse discurso tem a ver com qualquer outra coisa que não é economia”, afirma.

Inflação no acumulado de 12 meses

Confira a oscilação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado de 12 meses entre janeiro e agosto.
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
O encontro entre política e economia
Há quem veja motivo para seguir em alerta. O ex-diretor do Banco Central, Alexandre Schwartsman, faz coro ao grupo dos alarmados. Na última sexta-feira (6), o economista afirmou à Agência Estado que o IPCA divulgado pelo IBGE “parece mais um acidente do que uma característica permanente”. Para ele, nem a alta recente dos juros para 9,75% ao ano vai controlar a inflação. “Está longe de ser suficiente para mudar a dinâmica da inflação, mas há limites que o Banco Central não parece disposto a transgredir.”
Com o debate fora do âmbito econômico, Alessandra Ribeiro, economista da consultoria Tendências, lembra que o exercício da política não está entre as prioridades do Banco Central. “A função do Banco Central é zelar pela estabilidade monetária do País”, comenta. “Em outros momentos, o BC já sucumbiu às pressões políticas e o resultado é invariavelmente ruim.”
Para Alessandra, essa inflação menos “descontrolada” que o esperado é fruto dos estímulos do governo para manter a economia aquecida. A desoneração da cesta básica e prorrogação da isenção do IPI teriam mantido os números sob pressão. “Essas políticas derrubam os preços, mas não alteram a dinâmica da economia”, afirma.
Essa dinâmica não traz a melhor das perspectivas, para a economista, que já vê efeitos negativos da alta dos preços sobre a economia. “O governo Dilma erra ao criar o pior dos mundos: juntou a inflação alta a um crescimento muito mais tímido”, diz.

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