Postagem em destaque

CARTA DE DEMISSÃO DA SENHORA PRESIDENTE DA REPÚBLICA (11.05.2016)

Este blog, tem como finalidade, expor as mazelas, as quais convivemos em nosso dia a dia, sempre baseado em informações, divergências ou rej...

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

'Grades eram bretes', diz policial civil em audiência sobre incêndio na Kiss Rodrigo Souza da Silveira contou que se cortou ao tentar sair da boate.

Este blog, tem como finalidade, expor as mazelas, as quais convivemos em nosso dia a dia, sempre baseado em informações, divergências ou rejeições, fazem parte, nem cristo agradou, que dirá um mero leiloeiro...



05/09/2013 11h31 - Atualizado em 05/09/2013 11h37

'Grades eram bretes', diz policial civil 


em audiência sobre incêndio na Kiss

Rodrigo Souza da Silveira contou que se cortou ao tentar sair da boate.
'Pingava espuma do teto em cima das pessoas', lembrou o sobrevivente.

Bruna TaschettoDa RBS TV
gora
 
Rodrigo Souza da Silveira prestou depoimento pela manhã em Santa Maria (Foto: Bruna Taschetto/RBS TV)Rodrigo Souza da Silveira prestou depoimento pela manhã em Santa Maria (Foto: Bruna Taschetto/RBS TV)
O policial civil Rodrigo Souza da Silveira disse na manhã desta quinta-feira (5) que, mesmo conhecendo bem o local, se machucou e teve muita dificuldade de sair da boate Kiss em 27 de janeiro, no incêndio que causou a morte de 242 pessoas em Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul. Primeiro do dia a ser ouvido em audiência no Salão do Júri do Fórum da cidade gaúcha, o sobrevivente estava de folga na casa noturna na madrugada da tragédia e é considerado testemunha chave pela sua profissão.
"A boate estava lotada. As grades eram como grandes bretes", comparou Silveira, que já havia ido algumas vezes ao local. O sobrevivente disse ainda que estava próximo ao banheiro quando o fogo começou. Após pensar que se tratava de uma briga, o policial viu uma nuvem negra caindo do forro e as pessoas sendo pisoteadas. Ao chegar perto da porta, se cortou nas grades e só conseguiu ir embora após ser puxado por alguém que não conhecia.
"Aquela cortina (de fumaça) tomou conta da boate inteira, e pingava espuma derretida do teto em cima das pessoas", lembrou. Silveira foi hospitalizado por alguns dias após a tragédia e, depois de receber alta, precisou voltar a ser internado por problemas respiratório.
O sobrevivente contou ainda que era vizinho e amigo de infância de Ricardo Pasche, gerente da casa noturna. "Era o cabeça da boate, e nada acontecia lá sem ele saber", declara.
As audiências retomadas nesta quinta são com sobreviventes indicados como vítimas no processo criminal da tragédia. São acusados de homicídio doloso, na modalidade dolo eventual, os sócios da Kiss Elissandro Spohr (Kiko) e Mauro Hoffmann, e os integrantes da banda Gurizada Fandangueira Marcelo de Jesus dos Santos, vocalista, e Luciano Bonilha Leão, produtor.
Depois desta quinta, outras oito datas estão reservadas para audiências: 10, 11, 12, 19, 24, 25, 26 e 27 deste mês. Inicialmente, seriam ouvidas 52 pessoas. No entanto, pelo menos seis depoimentos serão adiados e realizados em outras cidades em datas a serem definidas.

O juiz responsável pelo processo, Ulysses Louzada, determinou que fossem expedidas cartas precatórias para Porto Alegre, Rosário do Sul, na Região Central do estado; Passo Fundo, no Norte; Horizontina, no Noroeste; Quaraí e Uruguaiana, na Fronteira Oeste.
Inicialmente marcado para esta quinta, a audiência com Nathalia Daronch, a mulher de Kiko Sphor e que estava na boate na noite da tragédia, será realizada na capital gaúcha. "Quando tentaram intimá-la em Santa Maria, verificaram que ela está morando com o Elissandro em Porto Alegre", explicou ao G1 o advogado de Kiko, Jader Marques.
Mais de 50 clientes e ex-funcionários da boate já prestaram depoimento. Os sobreviventes respondem a perguntas feitas pelo juiz da 1ª Vara Criminal de Santa Maria. Depois, o representante o Ministério Público faz as questões, junto com assistentes de acusação. Por último, advogados dos quatro acusados fazem os questionamentos.
Entenda
O incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, região central do Rio Grande do Sul, na madrugada de domingo, dia 27 de janeiro, resultou em 242 mortes. O fogo teve início durante a apresentação da banda Gurizada Fandangueira, que fez uso de artefatos pirotécnicos no palco.
O inquérito policial indiciou 16 pessoas criminalmente e responsabilizou outras 12. Já o MP denunciou oito pessoas, sendo quatro por homicídio, duas por fraude processual e duas por falso testemunho. A Justiça aceitou a denúncia. Com isso, os envolvidos no caso viram réus e serão julgados. Dois proprietários da casa noturna e dois integrantes da banda foram presos nos dias seguintes à tragédia, mas a Justiça concedeu liberdade provisória aos quatro em 29 de maio.
Veja as conclusões da investigação
- O vocalista segurou um artefato pirotécnico aceso no palco
- As faíscas atingiram a espuma do teto e deram início ao fogo
- O extintor de incêndio do lado do palco não funcionou
- A Kiss apresentava uma série das irregularidades quanto aos alvarás
- Havia superlotação no dia da tragédia, com no mínimo 864 pessoas
- A espuma utilizada para isolamento acústico era inadequada e irregular
- As grades de contenção (guarda-corpos) obstruíram a saída de vítimas
- A casa noturna tinha apenas uma porta de entrada e saída
- Não havia rotas adequadas e sinalizadas de saída em casos de emergência
- As portas tinham menos unidades de passagem do que o necessário
- Não havia exaustão de ar adequada, pois as janelas estavam obstruídas

POSTAGENS DE SERGIO VIANNA