atualizado às 11h58

Legista do caso PC Farias diz que filho de PMs não cometeu suicídio

Adolescente é suspeito de ter se matado após assassinar pais e outras duas parentes em São Paulo

Colégio Stella Rodrigues, no bairro da Freguesia do Ó, onde estudava o garoto Marcelo Pesseghini, amanheceu pichado Foto: Marcos Bezerra / Futura Press
Colégio Stella Rodrigues, no bairro da Freguesia do Ó, onde estudava o garoto Marcelo Pesseghini, amanheceu pichado
Foto: Marcos Bezerra / Futura Press
Após analisar fotografias da cena da chacina ocorrida no início do mês na Brasilândia, em São Paulo, o médico legista George Sanguinetti não acredita na versão da polícia, que aponta que Marcelo Pesseghini, 13 anos, cometeu suicídio após assassinar os pais - o sargento das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) Luis Marcelo e a cabo da Polícia Militar Andreia -, a avó Benedita de Oliveira Bovo e a tia-avó Bernadete Oliveira da Silva. O médico ficou conhecido por ter contestado a tese inicial da polícia que Paulo César Farias e Suzana Marcolino teriam sido vítimas de homicídio seguido de suicídio em 1996. Após refazer os laudos, ele indicou que os dois foram assassinados.
"É básico em Criminalística e Medicina Legal que o perito só atesta o que encontra, só declara o que pode provar", descreveu o legista em sua página no Facebook. De acordo com Sanguinetti, o membro superior direito de Marcelo encontra-se em flexão, o braço-antebraço na parte anterior do tórax (esternal) dirigindo-se para o lado esquerdo da cabeça, onde a mão direita encontra-se na parte esquerda do segmento cefálico. "O membro superior esquerdo, braço-antebraço, em ângulo de 90 graus e a região palmar voltada para o dorso", completou. 
Legista George Sanguinetti não acredita que Marcelo Pesseghini, 13 anos, tenha se suicidado   Foto: Facebook / Reprodução
Legista George Sanguinetti não acredita que Marcelo Pesseghini, 13 anos, tenha se suicidado
Foto: Facebook / Reprodução
Diante da posição e do fato do adolescente ser canhoto, o médico considera impossível que Marcelo tenha disparado a arma de fogo. "Não estou contestando o trabalho da polícia de São Paulo, apenas estou apresentando a 'linguagem do cadáver de Marcelo', onde diz claramente que (ele) não foi autor do tiro que o matou", afirmou. 
Além disso, Sanguinetti questionou a ausência de exame residuográfico positivo, como também não foi detectada a presença de chumbo, pólvora, antimônio, bário na pele do menino. Para completar, ele diz que, como o tiro teria sido com arma apoiada, era importante também encontrar sangue e outros materiais orgânicos resultantes da explosão dos gases (lesão de Hoffmann ou buraco de mina).
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Cinco pessoas da mesma família foram encontradas mortas na noite de segunda-feira, dia 5 de agosto, dentro da casa onde moravam, na Brasilândia, zona norte de São Paulo. Entre os mortos, estavam dois policiais militares - o sargento Luis Marcelo Pesseghini, 40 anos, e a mulher dele, a cabo de Andreia Regina Bovo Pesseghini, 35 anos. O filho do casal, Marcelo Eduardo Bovo Pesseghini, 13 anos, também foi encontrado morto, assim como a mãe de Andreia, Benedita Oliveira Bovo, 65 anos, e a irmã de Benedita, Bernardete Oliveira da Silva, 55 anos.
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A investigação descartou que o crime tenha sido um ataque de criminosos aos dois PMs e passou a considerar a hipótese de uma tragédia familiar: o garoto teria atirado nos pais, na avó e na tia-avó e cometido suicídio. A teoria foi reforçada pelas imagens das câmeras de segurança da escola onde Marcelo estudava: o adolescente teria matado a família entre a noite de domingo e as primeiras horas de segunda-feira, ido até a escola com o carro da mãe, passado a noite no veículo, assistido à aula na manhã de segunda e se matado ao retornar para casa.
Os vídeos gravados pelas câmeras mostraram o carro de Andreia sendo estacionado em frente ao colégio por volta da 1h15 da madrugada de segunda-feira. Porém, a pessoa que estava dentro do veículo só desembarcou às 6h30 da manhã. O indivíduo usava uma mochila e tinha altura compatível à do menino: ele saiu do carro e caminhou em direção à escola.
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