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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Juíza absolve delegado por morte de refém durante sequestro em Gravataí

Este blog, tem como finalidade, expor as mazelas, as quais convivemos em nosso dia a dia, sempre baseado em informações, divergências ou rejeições, fazem parte, nem cristo agradou, que dirá um mero leiloeiro...


Ação desastrada11/08/2013 | 21h42

Juíza absolve delegado por morte de refém durante sequestro em Gravataí

Magistrada da 1ª Vara Criminal do município entendeu que Leonel Carivali agiu em legítima defesa

Protagonista de uma operação policial atrapalhada, que resultou em duas mortes, o delegado Leonel Carivali foi inocentado pela Justiça pela morte do agricultor Lírio Persch em dezembro de 2011, quando era responsável pela 1ª Delegacia Regional Metropolitana, com sede em Gravataí. A juíza Eda Salete Zanatta de Miranda, da 1ª Vara Criminal do município, entendeu que o policial agiu em legítima defesa quando atirou contra o carro em que estavam dois reféns e os criminosos.
Na decisão, tomada na última quinta-feira, a magistrada justificou dizendo que "a legítima defesa invocada pelo denunciado é confirmada pelas referidas testemunhas, as quais (...) declararam que este praticou o ato para se defender, já que estava desprotegido, 'de frente para a ocorrência', e diante de um indivíduo armado, que gesticulava na sua direção". Em entrevista a ZH em janeiro de 2012, o delegado declarou que gritou "arma" ao avistar o suspeito, mas que o homem disparou e então ele revidou. Neste domingo, a reportagem tentou falar com Carivali, mas não conseguiu contato.
A perícia constatou que foram disparados três tiros de pistola calibre .40, que acertaram o lado direito traseiro do veículo — no porta-malas, no para-choque e no vidro. Um disparo acertou a vítima nas costas. A juíza também diz na sentença que "bem se percebe que os disparos foram efetuados de modo a atingir parte não letal do corpo do sequestrador que havia saído armado do automóvel, já que a altura em que alcançou o veículo deixa evidente tal assertiva, o que corrobora a versão apresentada pelo denunciado Leonel."
Como foi absolvido sumariamente (quando o juiz, em processos submetidos ao tribunal do júri, entende que não houve crime, que o acusado não participou do crime, que o fato não constitui infração penal ou que ficou demonstrada causa de isenção de pena ou de exclusão de crime), Carivali foi retirado do processo. A decisão é em primeira instância e cabe recurso. A promotora responsável pelo caso, Juliana Gavião, já foi comunicada e ainda não decidiu se vai recorrer ou não. Os outros denunciados seguem como réus na ação penal.
Em março de 2012, a 1ª Vara Criminal de Gravataí aceitou denúncia de 12 pessoasenvolvidas na morte de Persch, entre eles Carivali, por homicídio qualificado. Oito suspeitos de terem participado do cárcere foram acusados de formação de quadrilha armada e extorsão mediante sequestro com morte e dois delegados e um investigador paranaenses, de "omissão penalmente relevante com relação ao crime de extorsão mediante sequestro" (segundo explicação no site do MP, por não terem evitado o crime quando podiam e deviam evitá-lo).
Entenda o caso
— Na noite de 20 de dezembro de 2011, três policiais civis do Tático Integrado Grupo de Repressão Especial (Tigre), unidade antissequestro da polícia do Paraná, chegam ao Rio Grande do Sul pra investigar uma quadrilha que atraía ao Estado agricultores paranaenses, os mantinha em cárcere privado e pedia dinheiro para liberá-los.
— Quando os agentes chegam a Gravataí, são avisados por colegas do Tigre de que pode haver um sequestro em andamento e recebem a missão adicional de fazer buscas ao cativeiro. Em uma viatura discreta, percorrem as ruas da cidade durante a madrugada. No bairro Morada do Vale II, eles cruzam com o sargento Ariel da Silva, que estava de folga e em uma motocicleta.
— Após desconfiança mútua, teria ocorrido uma troca de tiros. Silva foi atingido por cinco disparos e morreu. Os policiais paranaenses envolvidos na morte tiveram prisão preventiva decretada na madrugada daquele dia e uma segunda equipe do Paraná, com quatro agentes, chega a Gravataí para continuar a busca aos reféns, desta vez seguidos pela Polícia Civil gaúcha.

— A Brigada Militar não é informada da ação. Os carros discretos dos policiais civis chamam a atenção de moradores, que ligam para o 190. PMs abordam os policiais na Rua Doutor Luiz Prado. Em seguida, um Corsa com placas procuradas pelos agentes começa a sair de ré da garagem de um sobrado. Eram os sequestradores que deixavam o local com os reféns, após receberem o resgate.
— Os policiais identificam as placas e correm em direção à casa. O delegado Carivali afirmou que um dos criminosos atirou contra ele, que revidou. Um dos tiros atingiu e matou o agricultor Lírio Persch.
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