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segunda-feira, 8 de julho de 2013

Embaixador dos EUA faz reunião com ministro das Comunicações

Este blog, tem como finalidade, expor as mazelas, as quais convivemos em nosso dia a dia, sempre baseado em informações, divergências ou rejeições, fazem parte, nem cristo agradou, que dirá um mero leiloeiro...




08/07/2013 15h51 - Atualizado em 08/07/2013 16h52

Embaixador dos EUA faz reunião com 


ministro das Comunicações


Thomas Shannon disse que programa não foi apresentado de forma correta.
Paulo Bernardo diz não ter dúvida de que EUA espionaram brasileiros.

Fábio AmatoDo G1, em Brasília

O embaixador-norte americano no Brasil, Thomas Shannon, se reuniu nesta segunda-feira (8) com o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, por cerca de 20 minutos. Antes do encontro, o diplomata não falou com a imprensa e depois, disse que o programa de monitoramento do governo americano no Brasil não foi apresentado de forma correta, sem dar mais explicações.
Reportagem do jornal “O Globo” publicada no domingo (7) afirma que, na última década, pessoas residentes ou em trânsito no Brasil, assim como empresas instaladas no país, se tornaram alvos de espionagem da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (National Security Agency - NSA, na sigla em inglês). Segundo a reportagem, não há números precisos, mas em janeiro passado o Brasil ficou pouco atrás dos Estados Unidos, que teve 2,3 bilhões de telefonemas e mensagens espionados.
Shannon chegou ao ministério por volta das 15h30. Ao final, criticou as reportagens publicadas. “Infelizmente, os artigos de ‘O Globo’ apresentaram uma imagem de nosso programa que não é correto [sic], então estamos trabalhando com os brasileiros para contestar as suas perguntas”, disse o embaixador ao deixar a sede da pasta.
Ele afirmou que, além de Paulo Bernardo, já havia se reunido com o secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Eduardo dos Santos, para dar explicações sobre o sistema de vigilância dos EUA. Ainda nesta segunda, disse, vai se reunir com o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general general José Elito Carvalho Siqueira.
Mais cedo, Paulo Bernardo disse não ter dúvidas de que cidadãos e instituições brasileiras foram alvo de espionagem do governo dos EUA. Ele confirmou que pediu à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e à Polícia Federal que apurem as circunstâncias em que o monitoramento aconteceu e se essa ação contou com apoio de empresas que atuam no país.
“Eu não tenho dúvida nenhuma [de que o governo dos EUA monitorou brasileiros]. Até o Parlamento Europeu foi monitorado, você acha que nós não fomos? Agora, as circunstâncias em que isso se deu, a forma exata e a data, isso temos que verificar”, disse Bernardo ao deixar a sede do Ministério das Comunicações no início da tarde desta segunda.
As informações divulgadas constam de documentos, aos quais o jornal teve acesso, e que foram coletadas por Edward Joseph Snowden, técnico em redes de computação americano que nos últimos quatro anos trabalhou em programas da NSA e, no mês passado, decidiu delatar as operações de vigilância de comunicações realizadas pela NSA dentro e fora dos Estados Unidos. Snowden se tornou responsável por um dos maiores vazamentos de segredos da História americana, que abalou a credibilidade do governo Barack Obama.
Relações Brasil-EUA
Em entrevista pela manhã, Paulo Bernardo disse ainda não acreditar que a revelação da espionagem possa azedar as relações entre os governos de Brasil e EUA. De acordo com ele, o governo brasileiro terá “muita prudência” na investigação do caso, mas vai exigir explicações do governo norte-americano.
“Nós vamos trabalhar com muita prudência e tranquilidade. Acho que não tem motivo para isso [azedar as relações entre os dois países]. Por outro lado, temos que ser firmes e exigir transparência. Somos países amigos, mas isso não elimina a necessidade de exigirmos explicações”, disse.
O ministro disse ainda que o governo brasileiro vai aproveitar a polêmica provocada pela revelação das ações de espionagem do governo dos EUA para pedir apoio de outras nações à proposta de criação de uma agência multilateral de governança da internet. Essa atividade é hoje exercida por uma empresa norte-americana.
“Tem que ter uma mudança na governança da internet. Ela não pode ser regida por uma entidade privada americana quando a gente sabe que, na verdade, ela é controlada pelo governo americano”, disse ele.
Empresas negam participação
O presidente-executivo do Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (Sinditelebrasil), Eduardo Levy, negou nesta segunda que companhias de telecomunicação que atuam no Brasil possam ter colaborado com espionagem dos EUA.
“Eu nego e é crime. Empresas brasileiras não podem fornecer dados de seus clientes a não ser por solicitação de juízes”, disse Levy.
De acordo com ele, não passam de “ilação” as suspeitas contra as empresas do setor. “É um absurdo. Há 50 anos que temos armazenamento de dados e nunca se armazena conversa de ninguém”, disse.
“A Anatel fiscaliza as empresas e nós não compactuamos com crime. Eu tenho 38 anos de telecom e nunca ouvi falar de nada parecido [com as ações de espionagem do governo dos EUA e a colaboração de empresas]”, completou Levy
.

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