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quarta-feira, 24 de julho de 2013

Costa Rica: Narcotraficantes ameaçam tartarugas marinhas

Este blog, tem como finalidade, expor as mazelas, as quais convivemos em nosso dia a dia, sempre baseado em informações, divergências ou rejeições, fazem parte, nem cristo agradou, que dirá um mero leiloeiro...



Costa Rica: Narcotraficantes ameaçam tartarugas marinhas

Assassinato de ambientalista aponta ligação entre saqueadores de ovos de animais e grupos criminosos.

Por Mario Garita para Infosurhoy.com - 23/07/2013


       O ambientalista Jairo Mora, 26 anos, foi encontrado morto em uma praia onde protegia tartarugas de caçadores. A morte pode estar associada a uma possível ligação entre saqueadores de ovos de tartarugas e narcotraficantes que agem ao longo da costa caribenha da Costa Rica. (Cortesia de Didiher Chacón/Widecast)
O ambientalista Jairo Mora, 26 anos, foi encontrado morto em uma praia onde protegia tartarugas de caçadores. A morte pode estar associada a uma possível ligação entre saqueadores de ovos de tartarugas e narcotraficantes que agem ao longo da costa caribenha da Costa Rica. (Cortesia de Didiher Chacón/Widecast)
SAN JOSÉ, Costa Rica – A morte de Jairo Mora é a prova de como saqueadores de ovos de tartarugas podem ser violentos na província de Limón, ao longo do litoral caribenho da Costa Rica.
“Eles armam viciados em drogas com facões e facas, às vezes até com armas caseiras ou de pequeno calibre, para que possam roubar os ovos”, havia denunciado o ambientalista ao jornal costa-riquenho La Nación, acrescentando que os narcotraficantes pagavam os ladrões com drogas para alimentar sua dependência.
Vinte e cinco dias depois, em 31 de maio, Mora foi encontrado morto – a parte de trás de sua cabeça mostrava marcas de golpes de pau ou pedra – na praia Moín, onde ele passou anos protegendo as tartarugas, de acordo com Francisco Segura, diretor do Organismo de Investigação Judicial (OIJ).
“Quando ele caiu, engoliu areia e, muito provavelmente, o golpe e a areia provocaram asfixia”, diz Segura. Não houve prisões ligadas ao homicídio.
Mora e quatro ambientalistas estrangeiras monitoravam a praia Moín na noite de 30 de maio quando foram atacados por quatro ou cinco homens. As mulheres foram amarradas e levadas a uma casa abandonada, de onde escaparam e alertaram as autoridades, segundo relatos da polícia.
Mas Mora não teve a mesma sorte.
“Nos últimos três anos (...) recebemos ameaças anônimas de traficantes de drogas e criminosos na área que queriam que fossemos embora”, conta Didiher Chacón, representante da organização ambiental Widecast, onde Mora trabalhava como pesquisador encarregado da conservação das tartarugas na praia Moín.

       Quase 1.500 ninhos de tartarugas contendo ovos avaliados em US$ 120.000 (R$ 267.600) foram registrados no litoral caribenho da Costa Rica no ano passado. Saqueadores frequentemente roubam os ovos e os vendem no mercado negro, segundo Didiher Chacón, ativista da organização ambiental Widecast. (Cortesia do Ministério de Segurança Pública)
Quase 1.500 ninhos de tartarugas contendo ovos avaliados em US$ 120.000 (R$ 267.600) foram registrados no litoral caribenho da Costa Rica no ano passado. Saqueadores frequentemente roubam os ovos e os vendem no mercado negro, segundo Didiher Chacón, ativista da organização ambiental Widecast. (Cortesia do Ministério de Segurança Pública)
O litoral caribenho da Costa Rica é uma área muito usada por narcotraficantes para descarregar drogas ou reabastecer combustíveis, e os criminosos costumam pedir ajuda aos moradores locais, segundo o Ministério de Segurança Pública.
“Como a praia é muito grande, [criminosos] montam acampamentos e passam o final de semana todo removendo os ovos”, afirma Erick Calderón, subchefe de polícia de Limón.
A venda de ovos ou carne de tartaruga é ilegal na Costa Rica e punível com uma sentença entre três meses e dois anos de prisão, de acordo com o Artigo 6 da Lei de Proteção, Conservação e Recuperação da População de Tartarugas Marinhas.
Ainda assim, caçadores, incluindo viciados em drogas, veem o roubo de ovos de tartaruga como um lucro fácil, já que se pode ganhar cerca de US$ 1.000 (R$ 2.230) com a venda de ovos de 10 a 13 ninhadas a clientes, restaurantes e bares. Os ovos são usados em pratos exóticos no país centro-americano, segundo Chacón.
“Os ovos de tartaruga são removidos de praias do Caribe, e muitas pessoas os trocam por maconha, crack e cocaína”, afirma Chacón. “Esses ovos são então vendidos nas cidades [de Limón e San José], e o dinheiro vai para o traficante de drogas. Foi isso o que Jairo denunciou.”
A Widecast contabilizou cerca de 1.500 ninhos de tartarugas no ano passado, com valor de mercado de cerca de US$ 120.000 (R$ 267.600), o que torna a atividade ilegal um negócio muito atraente para traficantes, explica Chacón.
“O esforço de saquear um ninho é quase zero e gera renda rápida”, ressalta Ana Lorena Guevara, vice-ministra do Ministério do Meio Ambiente e Energia (MINAE) da Costa Rica. “Embora esteja associado a um problema social, é também uma saída muito fácil [para obter dinheiro].”

       Na província costa-riquenha de Limón, desovam tartarugas-de-couro, tartarugas-de-pente e tartarugas-verdes. Cada ninhada contém cerca de 80 ovos, que saqueadores roubam e vendem por 500 colones (R$ 2,23) cada a restaurantes locais, de acordo com Mauricio Vargas, biólogo da Unidade Ambiental do Sistema Nacional de Guarda-Costas da Costa Rica. (Cortesia de Didiher Chacón/Widecast)
Na província costa-riquenha de Limón, desovam tartarugas-de-couro, tartarugas-de-pente e tartarugas-verdes. Cada ninhada contém cerca de 80 ovos, que saqueadores roubam e vendem por 500 colones (R$ 2,23) cada a restaurantes locais, de acordo com Mauricio Vargas, biólogo da Unidade Ambiental do Sistema Nacional de Guarda-Costas da Costa Rica. (Cortesia de Didiher Chacón/Widecast)
Como não têm efetivo para monitorar cada restaurante, as autoridades promovem campanhas de conscientização do público para alertar a população sobre o crime.
“Por mais que se realizem campanhas para conscientizar as pessoas de que não devem consumir esses produtos, é muito difícil deter a venda, pois há muitos que compram”, diz Ana.
Segundo o Serviço Nacional de Guarda-Costas (SNG), as autoridades aumentaram o patrulhamento em praias e rios do Caribe para combater o crime.
Entre janeiro e maio, 657 ovos de tartaruga foram apreendidos pelas autoridades e devolvidos às praias durante 20 patrulhas terrestres, 92 operações fluviais e 11 missões marítimas.
“Entre quatro e seis oficiais fazem patrulhamento diário em Limón”, afirma Calderón. “Reduzimos o roubo de ovos de tartaruga a quase zero e, portanto, diminuíram as apreensões.”
Em abril, a Unidade Ambiental do SNG treinou 55 policiais para patrulharem as praias de Matina e Limón entre maio e outubro, época de desova das tartarugas marinhas.
“Em meus 30 anos de trabalho com conservação, não tomamos nenhuma ação preventiva, apenas ações corretivas”, reconhece Chacón. “Agora, o Estado deu atenção ao crime e tem intenção de mudar isso.”
Em 20 de junho, representantes do governo se reuniram com ONGs ambientais e concordaram em destinar 20 milhões de colones (R$ 89.200) em fundos adicionais do Estado para investimento em um programa de conservação de tartarugas marinhas em Gandoca-Manzanillo, região natal de Mora, informou o MINAE.
“Sua morte não ficará impune – seu sacrifício não será em vão”, disse o deputado José María Villalta, depois que a Assembleia Legislativa nomeou uma Comissão de Assuntos Ambientais para investigar a morte de Mora. “Esses lutadores anônimos que, como Jairo, arriscam suas vidas diariamente para defender nossa Mãe Terra podem ter certeza disso.”

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