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segunda-feira, 17 de junho de 2013

PARA MANIFESTANTES, GOVERNO SÓ PENSA EM COPA E OLIMPÍADAS!!!

Este blog, tem como finalidade, expor as mazelas, as quais convivemos em nosso dia a dia, sempre baseado em informações, divergências ou rejeições, fazem parte, nem cristo agradou, que dirá um mero leiloeiro...


Para manifestante, governo só pensa em Copa e Olimpíadas


Nicolas Bourcier
Enviado especial a Brasília
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Protestos contra o aumento da tarifa do transporte coletivo200 fotos

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17.jun.2013 - Embora tenha ocorrido de forma pacífica durante boa parte do tempo, a manifestação iniciada no começo da tarde desta segunda-feira pelas ruas da capital mineira foi marcada por um tumulto generalizado, com a Polícia Militar usando bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha para conter os manifestantes, que reagiram atirando pedras nos policiais Carlos Eduardo Cherem/UOL
Um aumento de 20 centavos foi o suficiente para acender o estopim. Quando as autoridades de São Paulo decidiram, no dia 2 de junho, passar a tarifa de ônibus de R$ 3 para R$3,20, elas estavam longe de imaginar a onda de choque que viria. Um início de revolta social se propagou no espaço de poucos dias pelas principais cidades do país.
No início foram algumas centenas, depois milhares de manifestantes, a maioria muito jovens, a saírem pelas ruas contra o alto custo de vida e para exigir um transporte público de melhor qualidade. Mas também para criticar o caos e as somas colossais investidas na organização de eventos esportivos em andamento ou futuros, enquanto serviços públicos como a saúde e a educação se encontram em um estado deplorável. Um turbilhão de reivindicações, que revela um profundo mal estar nesse Brasil onde o crescimento econômico tem dado sérios sinais de desaceleração, mas também deixa um gosto amargo em uma camada cada vez maior da população.
"Existe uma conscientização evidente da necessidade de iniciar profundas reformas nas instituições", ressalta o sociólogo Ricardo Antunes, professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas, a 98 km de São Paulo). "Todas essas questões vão além da questão do aumento da passagem."
Na sexta-feira (14), quase 400 militantes do Movimento dos Sem-Teto bloquearam o acesso ao estádio da capital Brasília para exigir moradias decentes e dar um "cartão vermelho" para a Copa de 2014. No dia seguinte, durante o lançamento da Copa das Confederações, quase 1.500 manifestantes foram mantidos à distância pelas tropas de choque e pela polícia montada.
"Da Copa eu abro mão, quero dinheiro para saúde e educação", gritavam os manifestantes. Alguns exibiam cartazes com a inscrição "Por um Brasil sem corrupção". Ao mesmo tempo, oito mil pessoas marchavam de forma pacífica em Belo Horizonte pedindo por melhoria nos transportes. E no domingo, no Rio de Janeiro, uma nova manifestação nas proximidades do mítico estádio do Maracanã foi dispersada por bombas de gás lacrimogêneo.
As autoridades, que há meses vêm sendo obrigadas a responder às críticas sobre os atrasos acumulados na renovação dos estádios e o baixo nível de infraestrutura, foram pegas de surpresa. Veio na hora errada para os governantes brasileiros, que precisam enfrentar uma desaceleração econômica e a exigência de passar a imagem de um país livre de violência antes da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016.
A presidente Dilma Rousseff, cuja popularidade caiu em junho pela primeira vez desde que assumiu o cargo em 2011, defendeu na quinta-feira a Copa do Mundo, que segundo ela permitiria uma "melhor segurança pública e melhor infraestrutura" ao país. Não convenceu os manifestantes.
Na mesma noite, em São Paulo, a tensão nas ruas atingiu seu auge. Cerca de 10 mil pessoas se encontraram diante do Teatro Municipal, convocadas sobretudo pelo Movimento Passe Livre, um coletivo criado em Porto Alegre em 2005 e um dos principais instigadores do protesto. Um cartaz resumia: "Copa: R$ 33 bilhões; Olimpíadas: R$ 26 bilhões; Corrupção: R$50 bilhões; Salário mínimo: R$ 678. E vocês acham que isto é por 20 centavos?"
Quando os manifestantes se aproximaram da grande avenida Paulista, as forças policiais dispersaram a multidão com extrema brutalidade. Mais de 240 pessoas foram presas. Foram registrados dezenas de feridos, incluindo sete jornalistas só do jornal "Folha de São Paulo". Dois deles foram atingidos na cabeça por balas de borracha.
O acontecimento foi considerado sério o suficiente para que o jornal mudasse de linha editorial. Enquanto na véspera ele ainda chamava os manifestantes de "vândalos" na capa, no dia seguinte as manchetes deram destaque à violência policial.
Fernando Haddad, uma das novas figuras do Partido dos Trabalhadores (PT, esquerda governista), que havia feito do transporte público --a ironia da história-- um de seus principais argumentos de campanha para conquistar a Prefeitura de São Paulo em 2012, também suavizou seu discurso. Mas não abriu mão do aumento da tarifa de ônibus.
"Eles não entenderam nada", analisa Lucia Farias, designer e manifestante paulista. "As manifestações se tornaram o espelho deste Brasil feudal e conservador, onde os políticos só pensam em Copa e Olimpíadas para tirar o máximo de lucro." Segundo uma pesquisa, a maioria dos habitantes apoia o movimento, ao mesmo tempo em que rejeita o uso de violência.
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Blocos de concreto e madeira são colocados em local de concentração de protesto em SP9 fotos

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17.jun.2013 - Cartazes a favor do protesto e com críticas à ação da polícia são colocados nos arredores do largo da Batata, zona oeste de São Paulo, horas antes da manifestação do Movimento Passe Livre, que pede a revogação do aumento da tarifa dos transportes públicos em São Paulo, marcada para as 17h desta segunda-feira (17). Materiais de construção como blocos de concreto, pisos de cerâmica e pedaços de madeira foram colocados em locais de livre acesso às pessoas onde haverá concentração para a manifestação.


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