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domingo, 16 de junho de 2013

HÁ 85 ANOS, NASCIA O REVOLUCIONÁRIO CHE GUEVARA

Este blog, tem como finalidade, expor as mazelas, as quais convivemos em nosso dia a dia, sempre baseado em informações, divergências ou rejeições, fazem parte, nem cristo agradou, que dirá um mero leiloeiro...




RedeDemocratica

Sex, 14 de Junho de 2013 23:50

Há 85 anos, nascia o revolucionário Che Guevara

Escrito por  Da Redação

Ernesto Guevara de la Serna foi um dos mais famosos revolucionários marxistas da História. Depois de sua morte, Che foi instantaneamente transformado em um símbolo do compromisso e do heroísmo revolucionários. Até hoje, Che vive nos corações dos povos solidários.
Ernesto Guevara de la Serna nasceu em 14 de junho de 1928, em Rosário, importante cidade industrial da Argentina, em uma família classe média alta. Seu pai, o arquiteto e engenheiro civil Ernesto Guevara Lynch, era um militante político, tendo participado de vários comitês e organizações de ajuda aos países democráticos. Apoiou a resistência republicana na Guerra Civil Espanhola, nos anos de 1930, participou de campanhas para brecar a propaganda nazista nas Américas na 2ª Guerra Mundial e, mais tarde, fez oposição ao governo de Juan Perón. A mãe, Célia de la Serna, era igualmente ativista, tendo sido presa diversas vezes por sua militância política. Na juventude de Che, a casa dos Guevara vivia repleta de republicanos espanhóis e militantes socialistas.
Aos 2 anos, Che Guevara sentiu os primeiros sintomas de asma que o atormentaria ao longo da vida. Para minimizar os efeitos da doença, a família foi para Alta Gracia, perto da Cordilheira dos Andes, à procura de um clima mais saudável. Mais tarde, Ernestito, como era chamado pelos parentes, começou a praticar esportes como natação, futebol, ciclismo e rugby. Ao contrário do que se poderia imaginar, ele não desenvolveu uma personalidade fraca e indolente por causa da doença. A enfermidade tornou-se um desafio que ele aceitou sem nenhuma autocompaixão. Outra coisa curiosa que aconteceria depois: Che foi dispensado do serviço militar argentino por incapacidade em virtude da asma.
Quando Che tinha 12 anos, sua família mudou-se para Córdoba, segunda maior cidade da Argentina, e foi viver próxima de uma favela. O menino brincava diariamente com as crianças pobres do lugar, uma atitude pouco comum para um filho de classe média alta. Nessa época, ele começou a pegar gosto pela leitura, pois seus pais tinham cerca de 3 mil livros em casa. Che tomou contato com a poesia, filosofia, história e arqueologia, dentre outros assuntos. Com isso, abriu novos horizontes e quis conhecer novos lugares. A primeira viagem foi uma travessia do território argentino de bicicleta promovida por uma empresa local. Em cada cidade que parava, comprava vários livros e, desde essa época, começou a escrever um diário, hábito que manteve por toda a vida.
Em 1944, quando tinha 17 anos, a família Guevara transferiu-se para a capital Buenos Aires, centro cultural e político da Argentina. Ele havia decidido fazer medicina, mas continuava atraído por viagens e aventuras. Em dezembro de 1949, ainda não tendo terminado o curso, começou uma longa viagem de motocicleta em direção ao Chile com seu amigo Alberto Granados. A ideia era rodar todo o continente, conhecendo os povos, as condições de vida, a história e a geografia da América Latina. Passaram pela maioria dos países, mas os que marcaram mais Guevara foram a Bolívia, a Venezuela e o Peru. Nessa viagem, Guevara começa a ver a América Latina como uma única entidade econômica e cultural. Granados, recém-formado em medicina, ficou na Venezuela trabalhando num sanatório para leprosos e Che voltou para a Argentina para completar seu curso.
Início da inquietação
Em março de 1953, ele se formou em medicina com especialização em alergia, mas percebeu que ainda não estava preparado para se tornar um médico. Resolveu voltar para a Bolívia. Em um de seus diários, Che relatou: “Quando comecei meus estudos de medicina, a maioria de meus ideais revolucionários ainda não existia. Como grande parte das pessoas, eu estava em busca de sucesso [...]. Mas, quando comecei a viajar por toda a América, entrei em contato com a pobreza, a fome e a doença [...]. Vi a degradação e a repressão. Então comecei a entender que havia outra coisa tão importante do que ser famoso, que era ajudar essa gente.”
Em La Paz, capital da Bolívia, Guevara teve contato com vários grupos políticos, especialmente exilados argentinos. Um dos novos amigos, Ricardo Rojo, era um advogado argentino que escapara das prisões do regime de Perón. O plano de Guevara era se encontrar com Alberto Granados na Venezuela, mas Rojo o convenceu a acompanhá-lo até a Guatemala, “onde as coisas estão acontecendo”. Em 1950, os guatemaltecos tinham elegido o presidente Jacobo Arbens Guzmán, um esquerdista moderado que prometera dar sequência ao programa de reformas sociais iniciado em 1944, quando fora deposto o último regime militar. Arbens estava sobre fogo cerrado das elites locais e dos interesses norte-americanos.
Para chegar à Guatemala, Guevara, Rojo e um grupo de argentinos fizeram uma difícil viagem pelo Peru e Equador, de onde pegaram um barco para o Panamá. O transporte foi obtido graças à interferência de um político socialista chileno, Salvador Allende, que 20 anos depois seria presidente de seu país e terminaria assassinado durante um sangrento golpe militar.
Do Panamá, o grupo foi para a Costa Rica, onde vivia uma grande comunidade de exilados latino-americanos, incluindo alguns remanescentes do ataque ao quartel de Moncada em 26 de julho de 1953. Esses cubanos garantiram que voltariam a Cuba para derrubar Fulgêncio Batista, mas, de acordo com Rojo, nem ele nem Guevara os levaram muito a sério.
Primeira luta
Em janeiro de 1954, eles chegaram à Guatemala para mergulhar em um universo político conturbado. Foi lá que Guevara conheceu a peruana Hilda Gadea Acosta, com quem se casou mais tarde. Ela daria importante contribuição a sua formação política. Também foi lá que conheceu o cubano Nico Lopez, um dos líderes do ataque a Moncada, e que, no futuro, apresentaria Guevara a Raul e a Fidel Castro, no México.
Na Guatemala, o exército invasor norte-americano operava a partir de Honduras, sob o comando da CIA e com a aprovação do presidente Dwight Eisenhower. Guevara ficou impressionado com a facilidade com que um governo popular era esmagado. “A última democracia revolucionária da América Latina – a de Jacobo Arbens – caiu como resultado da fria e premeditada agressão conduzida pelos EUA [...]. Quando a invasão norte-americana começou, tentei juntar um grupo de jovens como eu para contra-atacar. Na Guatemala era necessário lutar e quase ninguém lutou. Era necessário resistir e quase ninguém resistiu”, escreveu Guevara.
Na invasão, Che foi guarda voluntário durante o blecaute, nos momentos em que a cidade estava sendo bombardeada. Ele também pediu para ir para o front, mas não foi autorizado. As exortações de resistência feitas por Guevara foram suficientes para colocar seu nome na lista negra dos golpistas. Avisado pelo embaixador argentino de que sua vida e de sua esposa estavam em perigo, eles se refugiam na embaixada.
As experiências na Guatemala foram importantes para a construção de sua consciência política. Foi lá que Che se autodefine como revolucionário e se convenceu da necessidade da luta armada, de tomar a iniciativa contra o imperialismo. “Quando estava na Guatemala de Arbenz, comecei a tomar nota e pensar sobre quais seriam as responsabilidades de um médico revolucionário. Então, depois que vi a agressão norte-americana, entendi uma coisa fundamental: para ser um médico revolucionário, você primeiro precisa de uma revolução”, escreveu certa vez.
Guevara iria atrás dela, mas, inicialmente, precisaria sair vivo da Guatemala. Recusou a oferta de um salvo-conduto para voltar para a Argentina. Resolveu ir para o México, porque se tratava de um país mais hospitaleiro para os refugiados políticos. Chegando lá com um amigo guatemalteco, os dois viraram fotógrafos de rua para sobreviver. Depois de algum tempo, Guevara foi trabalhar no setor de alergia do Hospital Geral da Cidade do México, ao mesmo tempo que lecionava na Universidade Autônoma do México. Um dia encontrou no hospital o cubano Nico Lopez, que o levou para conhecer um compatriota recém-chegado à capital mexicana: Raul Castro.
Encontro com Fidel
Hilda Gadea relata em uma carta que Che e Raul se tornaram amigos, passando a se encontrar todos os dias. Ela descreve Raul como “um dedicado revolucionário, que era aberto, seguro de si, muito claro nas exposições de suas ideias”. Em julho de 1955, Raul apresenta a Guevara seu irmão mais velho: Fidel Castro. Foi amizade à primeira vista.
Che escreveu como se deu o primeiro encontro: “Encontrei Fidel em uma dessas noites frias da Cidade do México. Lembro que nossa primeira discussão foi sobre política internacional. Algumas horas mais tarde, bem de madrugada, já tinha me decidido que participaria da expedição do Movimento 26 de Julho, que em breve pretendia iniciar uma revolução em Cuba. Depois de minhas experiências pela América Latina e principalmente na Guatemala, era necessário muito pouco para me convencer a me juntar a qualquer revolução contra a tirania. Fidel causou boa impressão em mim. Eleestava absolutamente certo de que iríamos para Cuba. Uma vez lá, nós lutaríamos e que, lutando, venceríamos. Seu otimismo era contagiante. Tínhamos de agir e lutar para a consolidação de nossa posição. Era necessário parar de hesitar e começar a luta real. Para provar ao povo cubano que podia confiar em sua palavra, disse em um de seus famosos discursos: ‘Em 1956, nós devemos ser homens livres ou mártires.’ Este era o anúncio que, antes do fim do ano, ele desembarcaria em algum lugar de Cuba no comando de uma força expedicionária.”
Treinamento e embarque
Guevara passou a se dedicar inteiramente à causa. Sob a orientação de Alberto Bayo, um veterano da Guerra Civil Espanhola, de 63 anos, cerca de 80 homens começaram um treinamento de combate em uma fazenda perto da Cidade do México. Os exercícios de simulação consistiam em táticas de guerrilha, operações de ataque e manobras para confundir os inimigos em montanhas e na selva. O grupo suportava marchas de 15 horas por terrenos difíceis, subindo morros, cruzando rios e abrindo caminho no mato, aprendendo e aperfeiçoando os procedimentos de emboscada e de retirada rápida. Em pouco tempo, Che – apelido dado pelos cubanos, que significa “irmão”, em guarani – se tornaria o aprendiz mais dedicado de Bayo.
Nesse meio tempo, Fidel levantava fundos para conseguir realizar a insurreição. Em julho de 1956, a fazenda foi descoberta e 20 pessoas, dentre elas Fidel, Guevara e Bayo, foram presas. Libertados um mês depois, tiveram de agilizar o embarque, pois temiam a pressão da polícia mexicana. Planejaram começar a revolução em novembro de 1956.
Com os fundos arrecadados pelo Movimento 26 de Julho, foi possível comprar o barco Granma – “vovó”, em inglês –, que não era dos melhores, armas, munições e suprimentos médicos. Guevara seria o médico da expedição. Em 25 de novembro de 1956, o Granma levantou âncora do porto de Tuxpan, levando a bordo, em seus 17,5 metros de extensão, 82 homens que mudariam a história de Cuba e do mundo. A viagem foi conturbada. Vários homens marearam durante o percurso e Guevara sofreu forte crise de asma.
O plano de Fidel era desembarcar, em 30 de novembro, perto da cidade de Niquero, na província de Oriente, cerca de 650 quilômetros de Havana. A chegada coincidiria com um levante em Santiago de Cuba, capital da província, comandado pelo líder estudantil Frank País. O objetivo era juntar forças com os rebeldes de Santiago, criando um movimento de duas pontas, rural–urbano, para atrair a população para a causa revolucionária. O levante eclodiu na data marcada, mas foi esmagado antes que Fidel e seus homens chegassem à praia, em 2 de dezembro.
Depois de sete dias no mar, o exército revolucionário desembarcou, mas não no local previsto onde estariam os suprimentos. Estavam a 16 quilômetros ao Sul, nos mangues da praia Colorado. O Granma encalhou na areia e logo foi descoberto pela Guarda Costeira. Os rebeldes precisaram nadar até a praia, perdendo vários equipamentos importantes, e tiveram que andar horas pelo terreno pantanoso até encontrar terra firme.
Guevara descreveu essa passagem em seu diário Reminiscências da guerra revolucionária da seguinte forma: “Nós encontramos terra firme, nos perdemos como sombras ou fantasmas, marchando em resposta a algum obscuro impulso psíquico. Havíamos enfrentado sete dias de constante fome e enfermidades durante a travessia do mar e nos defrontamos com três dias ainda mais terríveis em terra. Exatamente dez dias depois de nossa partida do México, nas primeiras horas do dia 5 de dezembro, após uma noite de caminhada constantemente interrompida pela fadiga e por períodos de descanso, encontramos a área paradoxalmente conhecida como Alegria de Pío.”
Os rebeldes de Fidel estavam sendo cercados pelo Exército cubano nos canaviais de Alegria de Pío. Os aviões, que circulavam o local, começaram a abrir fogo. Aconteceu uma correria desenfreada em busca de abrigo seguro. Che atendia alguns companheiros que estavam com ferimentos leves, quando um homem, querendo se refugiar, deixou cair seu carregador de munição. Guevara estava com a sacola de medicamentos cheia, seria impossível carregar as duas coisas por causa do peso. Foi aí que ele tomou a decisão de ser um revolucionário: pegou a munição e largou os medicamentos para trás, correndo para o meio do canavial.
Depois de muito andar para não serem capturados pela Guarda Rural de Batista, foram contabilizadas as perdas. Dos 82 homens que desembarcaram do Granma, apenas 17 sobreviveram. Nico Lopez havia morrido e Che teve ferimentos leves no peito e no pescoço.
Destino: Sierra Maestra
Os rebeldes planejaram começar a revolução por Sierra Maestra, uma cadeia montanhosa de Cuba. A região era habitada por camponeses pobres e analfabetos, que lavravam pequenas roças para subsistência. As terras pertenciam a latifundiários, que pegavam uma parte de seus lucros. Em 1956, era praticamente impossível que a tropa regular de Batista conseguisse chegar ao local, pois era um lugar selvagem e não havia caminhos pela mata. Os treinamentos no México seriam úteis para os revolucionários nessa hora.
Em janeiro de 1957, Fidel e seu exército, agora com 20 homens, decidiram realizar um ataque para mostrar que o Movimento 26 de Julho estava vivo e ativo. Atacaram um pequeno posto da Guarda Rural na foz do rio La Plata. Conseguem capturar algumas armas e munições. Em fevereiro, Herbert Matthews, repórter do New York Times, foi à Sierra Maestra e fez uma longa entrevista com Fidel. Quando a reportagem saiu no jornal, o movimento ganhou notoriedade internacional, despertou simpatias e, principalmente, legitimidade. O governo de Fulgêncio Batista foi forçado a reconhecer que havia um exército rebelde em atividade dentro de Cuba.
Os revolucionários impressionavam as pessoas por seguirem um novo código de conduta bélica. As tropas regulares de Batista torturavam e executavam seus prisioneiros, além de cometer atrocidades contra civis. Já os rebeldes de Sierra Maestra tinham como norma liberar todos os soldados governamentais e jamais maltratar as pessoas da população local. Ao assumir princípios humanistas, os revolucionários conquistaram a confiança dos camponeses. Eles se mantinham firmes aos ensinamentos de José Martí, o herói nacional.
Ao longo de 1957, aumentava lentamente o número de rebeldes. Nesse mesmo ano, Fidel concede a Che a patente de comandante, posto que até então apenas ele próprio possuía, e o colocou na liderança da Segunda Coluna do Exército Rebelde. Depois de quase um ano em Sierra Maestra, os revolucionários perceberam que a semente estava germinando. Em toda parte de Cuba, surgiam protestos contra o governo. As forças de Fidel, agora com cerca de 300 combatentes, estavam bem organizadas. Ele e Che montaram fábrica de munição, escolas, clínicas, cozinhas coletivas, oficinas de trabalho, um jornal e uma estação de rádio na região (a Rádio Rebelde). Os camponeses receberam terras e se sentiam livres das arbitrariedades cometidas pela Guarda Rural.
Em abril de 1958, as forças anti-Batista no campo e nas cidades convocaram uma greve geral imaginando que o ditador fosse renunciar, mas o movimento fracassou. Em maio, o governo colocou 10 mil homens em Sierra Maestra, apoiados por tanques e aviões. A ofensiva durou quase três meses, porém o exército de Batista, desorganizado e não sabendo lutar nas montanhas, limitou-se a bombardear vilas e povoados, matando dezenas de civis.
Batalha final
Em agosto, as tropas regulares se retiraram do campo de batalha. Sierra Maestra estava nas mãos dos revolucionários. O comandante em chefe agora planejava sua ofensiva final para tomar o controle das grandes cidades. Fidel e Raul marcharam com 200 homens para Santiago de Cuba, onde receberiam o reforço de outros 600 rebeldes para tentar ocupar a cidade. Enquanto isso, Che Guevara, com 148 homens, atravessava a província de Las Villas, em direção às montanhas Escambray e à cidade de Santa Clara. Camilo Cienfuegos comandava uma coluna de 82 homens, movendo-se paralelamente às forças de Che. O alvo dele era Havana.
Em dezembro, Guevara recebeu a missão de tomar toda a província de Las Villas, cortando a ilha em duas partes. Em questão de dias, com brilhantes manobras táticas, ele conquistou toda a província, exceto a capital, Santa Clara. Defendida por 2 mil soldados, a cidade contava com apoio aéreo. Guevara tinha apenas 200 homens. Os arredores de Santa Clara se renderam rapidamente com as tropas governamentais evitando o combate, mas o controle do centro da cidade custou três dias de luta e convencimento dos soldados governistas. Com a tomada de Santa Clara em 31 de dezembro de 1958, não havia mais nenhum obstáculo entre os rebeldes e Havana.
Santiago de Cuba continuava cercada pelas forças de Fidel e Raul. O comandante militar da cidade telefonou para Batista dizendo que não poderia manter a cidade por muito tempo. Sabendo que seu exército estava aniquilado e nada mais poderia fazer, às 3 horas da madrugada do dia 1º de janeiro de 1959, o ditador, juntamente com alguns comparsas, fugiu de avião para a República Dominicana com medo de ser morto. Prudente, Fulgêncio Batista já havia transferido para o exterior fortuna estima em US$800 milhões, amealhada em anos de saque do Tesouro Nacional.
Quando Fidel soube da fuga de Batista, preparou-se para marchar sobre Santiago. O comandante militar da cidade, no entanto, rendeu-se sem oferecer resistência e Fidel entrou pacificamente na cidade. De Santiago, Fidel irradiou um apelo ao povo de Havana, conclamando-o a evitar violência e manter-se vigilante pela justiça. Prometeu que as forças rebeldes adentrariam as cidades de Cuba para restabelecer a ordem e impedir a contrarrevolução. “A ditadura desmoronou”, disse ele, “mas isso não significa que a revolução tenha triunfado. Revolução, sim! Golpe militar, não!”
Fidel pediu que Guevara e Cienfuegos seguissem para Havana. Em 2 de janeiro de 1959, eles entraram na cidade e assumiram o controle das instalações militares para evitar qualquer reação do Exército. No mesmo dia, Fidel começou sua lendária travessia de800 quilômetros por toda extensão de Cuba, fazendo discursos e entusiasmando a multidão. Ele chegou a Havana em 8 de janeiro. A luta militar havia sido ganha. Agora, os revolucionários tinham pela frente o igualmente espinhoso trabalho de criar uma nova sociedade.
Em suas reflexões sobre a vitória final dos rebeldes, Che escreveu o seguinte: “A ditadura de Batista criara o necessário fermento, com sua política de opressão das massas e manutenção de um regime de privilégios. Privilégios para os servos do regime, para latifundiários parasitas e comerciantes. Privilégios para os monopólios estrangeiros. Uma vez que o conflito começou, as medidas repressivas do governo e sua brutalidade, em vez de diminuírem a resistência popular, fortaleceram-na. A desmoralização e a falta de vergonha da casta militar facilitaram a tarefa. A rudeza das montanhas em Oriente e a incapacidade tática do inimigo também fizeram sua parte. A guerra, contudo, foi vencida pelo povo, por meio da ação de sua vanguarda armada (o exército rebelde), cujas armas básicas eram seu moral e sua disciplina.”
Dever cumprido
Depois de seu trabalho como médico e comandante das tropas rebeldes, Che foi proclamado “cidadão cubano de nascimento” e, no governo revolucionário, assumiu o posto principal do Banco Nacional de Cuba. Em seguida, foi para o Ministério da Indústria, onde desenvolveu uma política econômica voltada à diversificação da agricultura e à industrialização a fim de reduzir a dependência externa. Guevara também foi embaixador cubano, tendo visitado vários países, inclusive o Brasil, em 1960, onde foi condecorado pelo presidente Jânio Quadros, ansioso para demonstrar que o País tinha uma política externa independente.
Che ficou no cargo até abril de 1965, quando saiu de Cuba para levar a Revolução para outros países. Além disso, tinha suas dúvidas quanto à excessiva aproximação cubana com os soviéticos, posição que deixou bem clara nos encontros nos quais participou na época. Queria voltar a voar, não se prender a uma revolução. Já tinha dito a Fidel, antes de entrar para o exército rebelde cubano, que “vou retomar minha liberdade de revolucionário depois do triunfo da Revolução Cubana”. Deixou Cuba e uma carta a Fidel, que dizia num trecho o seguinte: “Sinto que cumpri a parte de meu dever que me atava à Revolução Cubana em seu território e me despeço de ti, dos companheiros, de teu povo, que já é meu. Faço formal a renúncia de meus cargos na direção do partido, de meu posto de ministro, de meu posto de comandante, de minha condição de cubano... Outras terras do mundo reclamam o concurso de meus modestos esforços... Até a vitória, sempre. Pátria ou Morte!” Assim foi para o Congo, onde tentou organizar uma guerrilha, que acabou sendo frustrada. Retornou em segredo para Havana e dali partiu, em outubro de 1966, para as selvas bolivianas, levando alguns guerrilheiros cubanos para encontrar outros homens na Bolívia, de onde empreenderiam uma guerrilha similar à que saiu vitoriosa em Cuba.
Mesmo com cerca de 50 homens em território boliviano, as tropas de Che venceram algumas lutas contra os inimigos. Mas, isolados nas montanhas da Bolívia, Che Guevara e seus companheiros foram denunciados ao Exército boliviano. Em 8 de outubro de 1967, eles foram encurralados num encosta e poucos escaparam. Che, ferido na perna, ficou preso na cidade de La Higuera. O governo boliviano estava diante de um dilema: executar Guevara ou levá-lo a julgamento. Esta última hipótese foi descartada imediatamente por René Barrientos, presidente boliviano na época. O banco dos réus exporia La Paz a uma campanha internacional por sua libertação.
Em 9 de outubro, Guevara foi interrogado por agentes da CIA e da inteligência boliviana. Em seguida, foi destacado um oficial para executá-lo. O soldado disparou várias vezes. Che estava morto.
Poucas horas depois, vários repórteres e fotógrafos chegaram em La Higuera e foram levados para uma lavanderia onde o corpo de Guevara fora colocado em exposição. Anotícia se espalhou pelo mundo, mas, durante dias, houve uma discussão internacional sobre a veracidade da morte do guerrilheiro. Todas as especulações terminaram em 15 de outubro, quando Fidel Castro anunciou que realmente Guevara tinha sido capturado e executado na Bolívia.
Em seu discurso, profundamente emocionado, Fidel pronunciou o seguinte: “Raramente pode-se dizer de um homem com maior justiça e com maior precisão o que vou falar sobre Che: ele foi um exemplo puro de virtudes revolucionárias; ele foi um ser humano extraordinário; um homem de extraordinária sensibilidade. Che era um homem de total integridade, um homem de supremo senso de honra, de absoluta sinceridade. Um homem de hábitos estoicos e espartanos, cuja conduta nenhuma mácula pode ser encontrada. Ele constituía, dentro de várias virtudes, o que podemos chamar de o verdadeiro modelo revolucionário.”
Os restos mortais de Guevara, depois de ficarem 30 anos enterrados num cemitério clandestino na Bolívia, foram identificados e exumados em julho de 1997. Atualmente, eles se encontram enterrados n Mausoléu Ernesto Che Guevara, na cidade de Santa Clara, em Cuba.
A postura de Che hoje é estudada como o “novo homem”, o homem necessário para construir a sociedade do futuro, altruísta e desprendido.
Um dos maiores legados deixado por Che foi a conscientização de se criar o “novo homem”, um ser desprovido do egoísmo e da mesquinhez característicos da sociedade capitalista. Um de seus biógrafos, John Gerassi, escreveu o seguinte: “A principal preocupação de Che era criar o Homem Socialista em Cuba [...]. Che sentiu que a economia por si só não valia o esforço, o sacrifício e os riscos de guerra se os fins encorajassem as ambições individuais à custa do espírito coletivo.”
Mesmo se não levarmos em conta seus sucessos e frustrações durante toda sua vida, Ernesto Che Guevara, por si só, serviu como um símbolo da dedicação revolucionária, cujas ações foram sempre consistentes e em harmonia com seus ideais morais. Ele morreu lutando por esses ideais, mas continua vivo nos corações de todos os povos solidários.
A fotografia mais conhecida do mundo
A célebre fotografia de Che Guevara, que é reproduzida em cartazes de manifestações reivindicatórias de liberdade e por melhores condições sociais, é de autoria do cubano Alberto Korda. Ela foi captada em março de 1960, mas só foi publicada sete anos depois. O Instituto Maryland de Arte, dos Estado Unidos, intitulou a foto de Korda de “a mais famosa fotografia no mundo e símbolo do século 20”.
Apesar de Korda nunca ter solicitado royalties daqueles que publicaram a imagem devido às suas convicções nos ideais de Guevara, não deixou que ela fosse usada em um anúncio de vodka. Korda era um comunista convicto e queria evitar a exploração comercial da fotografia.
Ele costumava dizer aos repórteres: “Como defensor dos ideais pelos quais Che Guevara morreu, não me oponho a sua reprodução por aqueles que desejam difundir sua memória e a causa da justiça social por todo o mundo.”
Nascimento
Segundo o escritor John Lee Anderson, Che Guevara teria nascido em 14 de maio e não a 14 de junho como consta de todas as biografias. Anderson cita como fonte uma das amigas da mãe de Che que lhe afirmou que à época do nascimento dele, sua mãe, Célia de la Serna, teve de adiantar a data em um mês porque ela havia se casado grávida e, se não o fizesse, sua família descobriria o seu segredo. No entanto, essa justificação não é totalmente convincente, uma vez que os pais de Guevara se casaram em novembro de 1927, ou seja, sete meses antes do nascimento do filho, pelo que não se justificaria um tal artifício.

Che faria 85 anos e seus escritos podem ser eternizados

Ernesto Che Guevara se estivesse vivo, completaria 85 anos nesta sexta-feira (14). Nascido em Rosário, na Argentina, lutou em Cuba e morreu em La Higuera, na Bolívia. Em sua homenagem, Argentina e Cuba realizaram uma série de atividades. Esta semana, a Organização das Nações Unidas para a Educação e Cultura (Unesco) anunciou que estuda os manuscritos originais de Che, que poderão ser incluídos no Registro Memória do Mundo.
Após lutar pela libertação da América Latina e também em países africanos, Che se converteu em símbolo da luta contra as injustiças sociais em todo o mundo.
Os manuscritos originais escritos pelo jovem Che estão entre os candidatos à inscrição na Memória do Mundo, registo que o Comitê Consultivo do programa da Unesco vai estudar na próxima semana, conforme comunicado da organização. 
Memória do mundo
A memória do mundo é um programa internacional, cujo Comitê Consultivo se reunirá entre 18 e 21 de junho em Gwangju (Coreia do Sul), para estudar os 84 pedidos de registo apresentados por 54 países e uma organização internacional. 
Esses aplicativos incluem a coleção de manuscritos originais de Ernesto Che Guevara, os arquivos da Universidade de Toronto relativos à descoberta da insulina (Canadá) e a coleção de manuscritos do Alcorão, da biblioteca nacional do Egito. 
Criado em 1997, a Memória do Mundo visa proteger o patrimônio documental da humanidade. Atualmente 245 bens, que vão desde os discos originais da música de Carlos Gardel até listas de ouro dos exames imperiais da dinastia Qing Dynasty são protegidos pelo organismo. 
Da Redação do Vermelho

Che e a Prensa Latina

Havana, (Prensa Latina) Quis a casualidade que convergissem em junho, mas de anos diferentes, as datas do natalício do mítico guerrilheiro argentino-cubano Ernesto Che Guevara e a criação da agência informativa latino-americana Prensa Latina, a PL. 
Che nasceu em 14 de junho de 1928 em Rosario, na Argentina, e a PL viu a luz no dia 16 desse mesmo mês, mas de 1959, a partir de uma ideia abraçada na Sierra Maestra por ele e pelo líder do Exército Rebelde, Fidel Castro.
Na direção do movimento armado falava-se já da necessidade de meios de comunicação de alcance internacional para enfrentar as campanhas midiáticas estrangeiras, que procuravam asfixiar a nascente Revolução Cubana.
Não bastavam, seguramente, os esforços do sinal da Rádio Rebelde (7-RR), surgida em plena luta nesse território montanhoso, onde os soldados faziam resistência aos ataques da ditadura de Fulgencio Batista.
O que, quiçá, deu o ponta pé inicial à ideia de fundar a PL foi o encontro, na Sierra Maestra, do jornalista argentino Jorge Ricardo Masetti com o Che e o líder do grupo armado.
Masetti veio à ilha como enviado da Rádio El Mundo, interessado em conhecer quem eram os já legendários jovens armados, aos quais teve que entrevistar em duas ocasiões sobre os mesmos temas.
"Adeus Che Masetti, mas parece-me que vamos nos encontrar de novo. Vão caçá-lo", disse em tom de brincadeira o Comandante Chefe do Exército Rebelde ao novo amigo argentino.
E é que o visitante, quando desceu da Sierra depois de cumprir seu interesse jornalístico, se viu obrigado a subir outra vez porque suas reportagens não chegaram a sua emissora em Buenos Aires.
Mas, quando Masetti finalmente desce a maior cordilheira de Cuba, já levava com ele sua própria ideia de promover uma rebelião na Argentina, porque tinha compreendido que também estava precisando de uma.
PL ACENDE OS TELETIPOS
A recente Revolução ainda não chegava a seus primeiros seis meses de vida, quando a PL acendeu pela primeira vez os teletipos e transmitiu um telegrama noticioso, com Masetti como diretor fundador.
Antes tinha lhe correspondido organizar a chamada por Fidel Castro "Operação Verdade", para fazer frente de batalha novamente aos impérios da comunicação e que seria uma agência para dizer a verdade com o ponto de vista desta região.
A novidade e a essência que dava origem à PL fez com que estivessem presentes em sua fundação jornalistas latino-americanos como o colombiano Gabriel García Márquez e o argentino Rodolfo Walsh, que se tornaram escritores.
Entre a lista de comunicadores que deram vida aos teletipos de Havana e de outros territórios estiveram os argentinos Aroldo Wall, Ernesto Jaquetti, Alfredo Muñoz Unsain, conhecido como Chango, Rogelio García Lupo e Carlos Aguirre; o mexicano Armando Rodríguez Suárez e o venezuelano Eleazar Díaz Rangel.
Vestindo verde oliveira, com suas botas de Comandante, Che chegava muitas noites à agência para visitar seu compatriota e dizem que quando não vinha, telefonava para perguntar sobre os últimos acontecimentos do mundo.
Também percorria a sala de teletipos, chegou a visitar os novos transmissores instalados na cidade e inclusive publicou através da PL um e outro artigo.
Um deles, difundido na Gaceta de Colombia, foi o intitulado por ele "Japão, uma potência que é colônia", com a assinatura de "Ernesto (Che) Guevara. Distribuído pela "Prensa Latina", onde faz uma análise socioeconômica do país do Sol Nascente.
O texto inicia com uma resenha de sua viagem ao Japão, na qual compartilha suas considerações a respeito de uma sociedade industrializada e seus avanços, mas assegura que esse país é "a demonstração de que não há bem mais desejável que a total soberania nacional".
Gabriel Molina, jornalista fundador da PL, conta que o Che trabalhou como jornalista em uma agência no México e sabia bem como funcionava, inclusive chegou a ser correspondente em uns jogos pan-americanos.
Por isso, quando surge este meio latino-americano, o faz com um salário decente para seus integrantes, não só em comparação com Cuba mas também com a região.
Pouco se conhece que, em seu início, esta foi chamada de "Agência Latina" e foi o mítico guerrilheiro quem sugeriu a palavra Prensa para a nomeá-la então Prensa Latina.
Conchita Dumois, viúva de Masetti e que exercia como sua secretária, contou que as visitas do guerrilheiro à PL eram assíduas e em muitos casos prolongadas.
Encerravam-se horas a conversar no escritório de Masetti em profundos debates que temperavam-se à fumaça de um puro cubano e um gole de mate.
"Posso imaginar o que conversavam", disse Dumois, ao indicar que, ao que parece, falavam de como fazer uma revolução para mudar a então triste realidade de seu país.
Em outubro de 1967, a Prensa Latina tinha conseguido superar os prognósticos de que não sobreviveria por muito tempo e se batia com os impérios telegráficos quando chegou a notícia da morte do Che.
Há 54 anos de sua criação, a PL se disseminou com mais de 20 correspondentes no mundo para mostrar a outra cara de uma realidade da qual não falam os grandes monopólios, um ideal também do Comandante Guevara que segue marcando seu caminho.

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